Grupo têxtil Okaïdi avança com pedido recuperação judicial em França
O grupo têxtil IDKIDS, proprietário da marca de roupa infantil Okaïdi, que conta com lojas em Portugal, anunciou a 27 de janeiro o avanço com um pedido de recuperação judicial em França, abrangendo exclusivamente as suas atividades naquele paÃs. A empresa esclarece que este processo não afeta as filiais estrangeiras nem o conjunto das franquias do grupo, garantindo assim a continuidade das operações fora do território francês.
O pedido foi apresentado junto do tribunal comercial de Lille, estando já agendada uma audiência para o próximo dia 3 de fevereiro. Em França, o grupo emprega cerca de 2.000 trabalhadores. A recuperação judicial diz respeito à s marcas Obaïbi, direcionada para crianças dos 0 aos 3 anos, Okaïdi, para o segmento dos 3 aos 14 anos, Oxybul, especializada em jogos educativos, e ainda à plataforma logÃstica IDLOG. A marca Jacadi, também pertencente ao grupo IDKIDS, fica fora deste processo, conforme sublinhado em comunicado oficial.
A Okaïdi, marca histórica do grupo com sede em Roubaix, apresenta um volume de negócios global de cerca de 600 milhões de euros, sendo metade desse valor gerado em França. No total, o grupo IDKIDS está presente em 70 paÃses, com um volume de negócios agregado de 800 milhões de euros e cerca de 6.000 colaboradores em todo o mundo.
Segundo o grupo, esta decisão resulta de um chamado “efeito ampulheta” no setor da moda, onde tanto o segmento premium como o low-cost e o ultra fast-fashion conseguem resistir melhor às atuais condições do mercado. Já as marcas de gama média, como é o caso da Okaïdi, têm enfrentado maiores dificuldades. A IDKIDS reconhece que a Okaïdi-Obaïbi tem sido fortemente afetada nos últimos anos pela subida dos custos e pela concorrência crescente, nomeadamente de cadeias generalistas de baixo custo, da fast-fashion e do mercado de segunda mão, o que acabou por pesar significativamente nos resultados da marca em 2025.
O grupo defende ainda que a Okaïdi precisa de evoluir o seu modelo operacional e reafirmar a sua identidade para se manter competitiva num mercado cada vez mais exigente. Esta situação não é isolada, uma vez que várias empresas francesas do setor do pronto-a-vestir têm atravessado dificuldades nos últimos anos, entre as quais IKKS, Camaïeu, Kookaï, Gap France, Jennyfer, André, Comptoir des Cotonniers, Princesse Tam Tam e Kaporal.
De acordo com dados do Instituto Francês da Moda (IFM), após a complexa transição para o comércio online, o impacto da pandemia da covid-19, a inflação e a crescente concorrência da moda ultra-efémera e do mercado de segunda mão, o setor do vestuário e têxtil registou uma quebra de 1,3% em 2025 e uma redução acumulada de 8,5?sde 2019, refletindo um contexto particularmente desafiante para as marcas tradicionais do setor.
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Fonte: eco.sapo.pt – “Grupo têxtil Okaïdi avança com pedido recuperação judicial em França”Â



